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A suplementação de vitamina D previne o câncer e as doenças cardiovasculares?

  • Pesquisas recentes afirmam que a “alta dosagem” da suplementação de vitamina D não resultou em menor incidência de câncer ou eventos cardiovasculares em comparação ao placebo
  • A “alta dosagem” administrada neste estudo foi de meras 2.000 unidades internacionais (UI) por dia, o que é apenas um quarto ou menos do que muitos precisam para colocar os níveis da vitamina D numa faixa protetora
  • O estudo não testou nem acompanhou os níveis de vitamina D dos participantes, que é a única maneira de garantir a quantidade suficiente e a fidelidade ao protocolo
  • O câncer é uma doença de progressão lenta, e os resultados da intervenção nutricional geralmente só se tornam evidentes após vários anos. Quando os dois primeiros anos de dados do acompanhamento foram excluídos, as pessoas que haviam ingerido 2.000 UI de vitamina D3 por dia apresentaram um risco 25% menor de desenvolverem câncer nos anos seguintes (três a cinco anos)
  • Muitos precisam de mais de 10.000 UI por dia para chegarem a 40 ng/mL (100 nmol/L) ou acima disso, que é o limite mínimo para a saúde e a prevenção de doenças. O ideal é um nível entre 60 e 80 ng/mL (150 e 200 nmol/L)

Por Dr. Mercola

A eficácia da suplementação de vitamina D foi novamente questionada por manchetes negativas que anunciavam seu fracasso na prevenção do câncer e das doenças cardiovasculares. Mas o que muitos pesquisadores e jornalistas deixaram de falar é o fato de que:

  • A “alta dosagem” administrada nesse estudo foi de meras 2.000 unidades internacionais (UI) por dia, o que é apenas um quarto ou menos do que muitos precisam para colocar os níveis da vitamina D numa faixa protetora
  • O estudo não testou nem acompanhou os níveis de vitamina D dos participantes, que é a única maneira de garantir sua quantidade suficiente

Com base apenas nesses dois fatores, só poderia haver um resultado negativo. Ainda assim, apesar de tais limitações, o estudo encontrou alguns benefícios dignos de nota, que simplesmente foram ignorados.

Na verdade, se tivesse sido um teste farmacológico, com tais resultados, a vitamina D provavelmente teria sido declarada um medicamento milagroso contra o câncer e as doenças cardiovasculares. Esse é o tipo de deturpação da ciência e dos relatos seletivos que atrapalham a saúde pública.

As conclusões do Estudo VITAL

O estudo em questão, que foi parcialmente financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, foi publicado na edição de janeiro de 2019 do New England Journal of Medicine (NEJM). (Um segundo estudo comparou a suplementação de ômega-3 ao placebo pelos mesmos parâmetros). Conforme detalhado na publicação sobre a vitamina D, o estudo foi:

“[Um] estudo nacional, aleatorizado, controlado por placebo, com um planejamento fatorial 2 a 2, da vitamina D3 (colecalciferol) na dosagem de 2000 UI por dia e ácidos graxos n-3 marinhos (também chamados de ômega-3) na dosagem de 1 grama por dia para a prevenção de câncer e doenças cardiovasculares entre homens com 50 anos ou mais e mulheres com 55 anos ou mais nos Estados Unidos.

Os parâmetros primários eram: câncer invasivo de qualquer tipo e os principais eventos cardiovasculares (uma combinação de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou morte por causas cardiovasculares). Os parâmetros secundários incluíam: cânceres em locais específicos, morte por câncer e eventos cardiovasculares adicionais.”

Em conclusão, os autores determinaram que “a suplementação com vitamina D não resultou em menor incidência de câncer invasivo ou eventos cardiovasculares do que o placebo”.

O que os dados dos Estudo VITAL realmente revelam

No entanto, como observado pela Grassroots Health, uma entidade de pesquisa sem fins lucrativos voltada para a saúde pública e dedicada a tornar as mensagens de saúde pública sobre a vitamina D e o ômega-3 de pesquisa em prática, “quando os tipos separados de doenças cardíacas ou morte por câncer foram analisados, houve 30 resultados muito significativos”, resumidos no gráfico abaixo.Apenas em Inglês

É importante ressaltar que, quando os pesquisadores excluíram os dados referentes aos dois primeiros anos de suplementação, a mortalidade por câncer “era significativamente menor com a vitamina D do que com placebo”.

Isso é importante porque o câncer é uma doença de progressão lenta, e os resultados da intervenção nutricional geralmente só se tornam evidentes após vários anos. Não faz sentido pensar que você pode tomar um suplemento e, dentro de semanas ou meses, ver uma diferença drástica nos resultados da saúde. O documento afirma isso claramente e acrescenta:

“A suplementação de vitamina D também não reduziu a ocorrência de câncer de mama, próstata ou colorretal. No entanto, houve uma redução sugestiva de 17% nas mortes por câncer, que se tornou uma redução de 25% nas análises que excluíram os dois primeiros anos de acompanhamento”.

Deixe-me repetir esses dois pontos para esclarecer melhor:

  1. Embora a incidência de câncer de mama, próstata e colorretal não tenha sida afetada, aqueles que tomaram suplementos de vitamina D3 em uma dosagem que não é considerada ideal ainda tiveram um risco 17% menor de morrer desses cânceres
  2. Quando os dois primeiros anos de dados do acompanhamento foram excluídos, as pessoas que haviam ingerido 2.000 UI de vitamina D3 por dia apresentaram um risco 25% menor de desenvolverem câncer nos anos seguintes (do terceiro ao quinto ano)

Como isso não é uma boa notícia? Novamente, vamos nos lembrar de que 2.000 UI são insuficientes para a maioria das pessoas, mas mesmo nessa dosagem insuficiente, o risco de câncer foi reduzido em 25%.

Para a maioria das pessoas, 2.000 UI por dia é insuficiente para a prevenção do câncer

No passado, acreditava-se amplamente que 4.000 UI eram o limite máximo de segurança, acima do qual se corria risco de toxicidade por vitamina D, mas estudos já refutaram isso, mostrando que não há risco de toxicidade até atingir 30.000 UI por dia ou um nível sanguíneo de 200 ng/ml (500 nmol/L). Ainda assim, o equívoco persiste.

Uma série considerável de pesquisas mostra que muitos precisam de mais de 10.000 UI por dia para chegarem a 40 ng/mL (100 nmol/L) ou acima disso, que é o limite mínimo para a saúde e a prevenção de doenças. O ideal é um nível entre 60 e 80 ng/mL (150 e 200 nmol/L). É quando a maioria dos benefícios para a saúde se torna realmente aparente.

Conforme observado em um estudo de 2009 sobre o desempenho atlético e a vitamina D, “em níveis abaixo de 40 a 50 ng/mL, o corpo desvia a maior parte ou toda a vitamina D ingerida ou derivada do sol para as necessidades metabólicas imediatas, o que significa uma falta crônica de substrato (deficiência)”.

Conforme observado anteriormente, o Estudo VITAL não usou os níveis sanguíneos de vitamina D como marcador de deficiência ou suficiência, e esse talvez seja o problema mais significativo desse estudo. Os níveis sanguíneos foram medidos apenas em um subgrupo de 1.644 participantes (de 25.871) após o primeiro ano de suplementação diária.

Nesse grupo, o nível médio de vitamina D aumentou de 29.8 ng/mL (74 nmol/L) para 41.8 ng/mL (104 nmol/L). Em outras palavras, a maioria das pessoas que tomaram a suplementação tinha níveis pouco adequados de vitamina D e ficou consideravelmente distante dos níveis ideais — níveis nos quais as pesquisas mostram que o risco de câncer é reduzido em 80%.

Como avaliar a qualidade do estudo

Os cientistas da GrassrootsHealth também argumentaram que a dosagem pulsátil em intervalos superiores a duas semanas pode, na verdade, causar uma forma de deficiência de vitamina D a nível celular.

De acordo com a GrassrootsHealth, para determinar com precisão o benefício da vitamina D em qualquer estudo, os pesquisadores devem acompanhar não apenas os níveis séricos basais e finais de vitamina D juntamente com a dosagem administrada, mas também a forma (vitamina D2 versus D3) e o intervalo de dosagem.

Ao avaliar uma pesquisa sobre a vitamina D, é preciso observar os seguintes parâmetros para saber se um estudo é de alta qualidade, pois sem eles, os resultados provavelmente serão consideravelmente falhos e provavelmente negativos:

  • A suplementação deve ser frequente, o ideal é que seja diariamente — É provável que dosagens grandes administradas em intervalos maiores que duas semanas sejam ineficazes.
  • É preciso monitorar a dosagem, a base de referência e o nível sérico final de vitamina D — A maioria dos estudos peca nesse sentido, pois a maioria apenas controla a dosagem, não o nível sérico, que é o parâmetro mais crucial de todos.
  • É preciso identificar a forma da vitamina D — Estão usando vitamina D2 ou D3? Estão monitorando a exposição ao sol, que é a principal forma de o corpo produzir vitamina D?

Existem fortes evidências de que a vitamina D diminui o risco de doenças crônicas

A vitamina D, um hormônio esteroide, é vital para a prevenção de muitas doenças crônicas, incluindo, mas não se limitando a:

  • Diabetes tipo 2
  • Degeneração macular relacionada à idade (a principal causa de cegueira)
  • Mal de Alzheimer
  • Doenças cardíacas
  • Dezenas de tipos diferentes de câncer, incluindo o câncer de pele — a própria causa de preocupação que levou tantos a evitar a exposição necessária ao sol para a produção de vitamina D

No caso das doenças cardíacas, a vitamina D desempenha um papel vital na proteção e reparo dos danos ao endotélio. Também ajuda a ativar a produção de óxido nítrico — que melhora o fluxo sanguíneo e impede a formação de coágulos — e reduz consideravelmente o estresse oxidativo no sistema vascular, todos os quais são importantes para prevenir o desenvolvimento e/ou a progressão das doenças cardiovasculares.

Recentemente, um estudo norueguês publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism descobriu que “uma ingestão normal de vitamina D” reduz consideravelmente o risco de morte em pacientes com doença cardiovascular.

De acordo com o pesquisador da vitamina D, Dr. Michael Holick, a deficiência de vitamina D — definida como um nível abaixo de 20 ng/mL (50 nmol/L) — também pode aumentar o risco de ataque cardíaco em 50%, e se você tiver um ataque cardíaco com deficiência de vitamina D, o risco de morte é praticamente garantido.

A vitamina D também tem uma poderosa capacidade de combater infecções, o que a torna útil no tratamento de tuberculose, pneumonia, resfriados e gripes, embora manter um nível saudável de vitamina D normalmente evite que essas infecções se instalem antes de mais nada. Estudos também associaram níveis elevados de vitamina D à redução da mortalidade geral.

A maioria dos casos de câncer de mama poderia ser evitada aumentando-se os níveis de vitamina D do público em geral

É importante ressaltar que a pesquisa em andamento da GrassrootsHealth estabelece firmemente que 20 ng/mL, convencionalmente considerado o limite padrão de suficiência de vitamina D, não chega nem perto do que é necessário para a saúde ideal e a prevenção de doenças.

Como mencionado, 40 ng/mL (100 nm/L) parece ser o limite mínimo ideal, e a maioria dos participantes do estudo em destaque do NEJM provavelmente estava em torno desse nível mais baixo (com base nas medições de um subgrupo muito limitado).

Ainda assim, lembre-se de que o risco de câncer do terceiro ao quinto ano diminuiu em 25% para aqueles que fizeram uso da suplementação com 2.000 UI por dia (atingindo um nível médio de pouco menos de 42 ng/mL). A pesquisa do GrassrootsHealth mostra que a faixa de proteção ideal fica entre 60 e 80 ng/mL (150 a 200 nm/L), e quanto maior dentro dessa faixa, melhor.

Na verdade, pesquisas demonstraram que a maioria dos cânceres ocorre em pessoas com níveis séricos de vitamina D entre 10 e 40 ng/mL. Uma pesquisa mostra que mulheres com níveis de vitamina D acima de 60 ng/mL apresentam um risco 83% menor de câncer de mama do que aquelas abaixo de 20 ng/mL. Dados do estudo D*Action da GrassrootsHealth, que se encontra em andamento, sugerem que 80% das incidências de câncer de mama podem ser evitadas apenas melhorando os níveis de vitamina D e nada mais!

Taxas de câncer

O segredo, no entanto, é atingir o nível sanguíneo adequado, o que não tem nada a ver com a dosagem. E a razão pela qual essa correlação nunca foi elucidada antes é porque ninguém estava usando uma dosagem suficientemente alta para que os níveis de vitamina D passassem de 60 ng/mL, ponto no qual você realmente começa a ver reduções drásticas nas doenças.

– Recursos e Referências

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