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autocuidado

Como uma cirurgia nasal de rotina pode aumentar seus riscos de ansiedade e suicídio?

  • Pessoas com síndrome do nariz vazio (ENS, da sigla em inglês) sentem que estão sufocando e não conseguem respirar corretamente
  • A ENS está sendo cada vez mais reconhecida como uma complicação possível complicação da cirurgia dos seios da face, podendo ocorrer em até 20 por cento dos casos após um procedimento conhecido como ressecção da concha nasal
  • As conchas nasais (ou sistema turbinato) estão envolvidas em uma série de processos que regulam a sua respiração, e removê-las ou reduzi-las pode romper nervos importantes que se comunicam com seu cérebro
  • A ENS é uma condição debilitante que muitas vezes torna a vida diária difícil, e carrega consigo sintomas psicológicos significativos, incluindo ansiedade, depressão e suicídio

Por Dr. Mercola

Imagine sentir como se estivesse sufocando a cada minuto do dia. Não importa o quão profundamente você inspire, ainda parece que não conseguiu ar o suficiente. Esta é a realidade para pessoas que sofrem de síndrome do nariz vazio (ENS), uma complicação da cirurgia do nariz ou seio da face.

Apesar de a condição ser uma realidade horrível para um grande número de pessoas, ela continua controversa, com alguns otorrinolaringologistas (médicos de ouvido, nariz e garganta) considerando-a puramente psicológica.

No entanto, a ENS está sendo cada vez mais reconhecida como uma complicação possível complicação da cirurgia dos seios da face, podendo ocorrer em até 20 por cento dos casos após um procedimento conhecido como ressecção da concha nasal. Sem cura conhecida, e a condição sendo tão grave que as vítimas não conseguem uma trégua nem mesmo enquanto dormem, algumas pessoas a descrevem como “uma vida pior que a morte” – e muitos cometeram suicídio como resultado.

Que tipo de cirurgia de seio nasal pode levar à síndrome do nariz vazio?

Pessoas com desvio de septo (ou entortamento) podem sofrer de congestão nasal e infecções crônicas dos seios da face, levando seu médico a recomendar septoplastia e reduções das conchas para ajudar na abertura da passagem nasal. A septoplastia visa corrigir a curvatura ou desvio do septo nasal, que é a divisória que separa os dois lados do nariz.

A redução de corneto, ou turbinectomia, (que às vezes também é recomendada para apneia do sono) visa reduzir ou remover as estruturas curvas que se projetam da lateral do nariz. Eles podem ser aumentados por vários motivos, como alergias ou inflamação dos seios da face. É essa perda de tecido que pode fazer com que algumas pessoas sintam que não conseguem respirar, apesar de terem passagens nasais desobstruídas.

Cada lado do nariz contém três conjuntos de cornetos (um baixo, um médio e um alto). O corneto baixo ou inferior é reduzido ou removido mais frequentemente, e os médicos podem usar uma variedade de procedimentos, desde cauterização até radiofrequência, para fazer isso. A quantidade removida também varia conforme o caso e o médico, com alguns removendo o terço inferior e outros removendo um pouco do topo.

É um procedimento comum. Nos Estados Unidos, cerca de 600.000 pessoas são submetidas a procedimentos nasossinusais todos os anos, o que inclui septoplastia, cirurgia de cornetos e outros. Por algumas medidas, a redução da concha é considerada “o procedimento mais comum em rinologia”. Na maioria dos casos, o procedimento funciona, permitindo que o paciente respire mais facilmente. Mas, em algumas pessoas, o ENS tem um resultado agonizante.

9 sintomas da síndrome do nariz vazio que você precisa conhecer

O principal sintoma é uma sensação de obstrução nasal ou sensação de asfixia, dificuldade em respirar ou falta de ar. Algumas pessoas sentem que estão com o “nariz vazio”, enquanto outras podem relatar o seguinte, que pode ocorrer imediatamente após a cirurgia ou até meses ou anos depois:

Sensação de fluxo de ar excessivoAusência de sensação de fluxo de ar nasal
Hipersensibilidade ao ar frioHiperventilação
Dor de cabeçaDor nasal
Ressecamento nasalDificuldade para dormir
Fadiga

Os sintomas físicos dão lugar a uma condição debilitante que muitas vezes torna difícil a vida diária, traz consigo sintomas psicológicos significativos. A ansiedade é comum, assim como depressão, com um estudo descobrindo que aqueles que sofrem de ENS experimentaram uma redução de 62% na produtividade no trabalho e uma redução de 65% na produtividade em todas as outras atividades.

Barbara Schmidt, que desenvolveu ENS aos 20 anos após um procedimento sinusal de rotina para sinusite crônica, vive em um estado constante de ansiedade e descreveu a condição da seguinte maneira escrevendo no Huffington Post:

“Imediatamente após o meu procedimento, senti falta de resistência do ar ao respirar e ao falar, tornando completamente exaustivas essas atividades que normalmente ocorrem com naturalidade e sem esforço. Eu precisava fazer um grande esforço simplesmente para projetar minha voz e, durante décadas, precisava recuperar o fôlego depois de falar apenas cinco ou seis palavras.

…Embora eu estivesse de fato respirando e recebendo oxigênio, meu cérebro não estava mais percebendo isso, então ele comunicava ao meu corpo que estava se sufocando, desencadeando uma resposta incessante de lutar ou fugir… meu cérebro, percebendo a asfixia, me acordava toda noite, gerando pesadelos quando eu adormecia.

…O sofrimento não parava aí: desidratação, olhos secos, dor de ouvido e facial, e a sensação desagradável de ar frio perfurando meus pulmões sempre que eu estava num local sem aquecimento. Era terrível, e ainda assim meros incômodos em comparação com a agonia de nunca poder entrar nos níveis mais profundos e restauradores do sono – um tormento que já foi usado até mesmo como tática de tortura na guerra.

E ainda havia mais: inquietação e, ao mesmo tempo, sensação de exaustão, apesar de sempre acordada. Incapaz de se concentrar ou articular. Não sentindo o ar o dia todo, hiperventilando. O cérebro alertando o corpo dia e noite em uma tentativa desesperada de escapar da percepção equivocada de asfixia. O fluxo contínuo de hormônios do estresse catabolizando o corpo, danificando tecidos preciosos. Medo constante e agonizante.”

O que causa a ENS?

Os cornetos estão envolvidos em vários processos que regulam a respiração. Isso inclui aquecer o ar frio inalado, aumentar e diminuir de tamanho para regular o fluxo de ar pelo nariz e controlar a quantidade de calor ou líquido perdido ao expirar.

“A fisiopatologia não está clara”, escreveram os pesquisadores no European Annals of Otorhinolaryngology, Head and Neck Diseases, “mas provavelmente envolve um distúrbio causado pela permeabilidade nasal excessiva que afeta os receptores neurossensíveis e as funções de condicionamento e umidificação do ar inspirado. Há suspeita de envolvimento neuropsicológico.”

Da mesma forma, na revista Current Allergy and Asthma Reports, é explicado: “Pouco se sabe sobre a patogênese da ENS, embora se especule que mudanças anatômicas que levam a alterações no ambiente local, interrupção do resfriamento da mucosa e interrupção dos mecanismos neurossensoriais estejam fortemente implicados.”

É uma espécie de paradoxo, porque embora a expansão das vias nasais pela redução das conchas pareça, teoricamente, tornar a respiração mais fácil, um estudo que comparou a aerodinâmica nasal antes e depois da cirurgia nasal revelou uma redução de 53 por cento na resistência ao fluxo junto com “redistribuição radical do fluxo de ar nasal, bem como microclima nasal mais seco e frio no caso pós-operatório.”

Quanto ao motivo da ENS se desenvolver em alguns pacientes, mas não em outros, há apenas hipóteses. Um delas sugere que o clima pode ser um fator, com a turbinectomia em climas mais quentes e úmidos não resultando em tantos casos relatados de ENS. Outra hipótese sugere que a ENS pode ser o resultado de nervos sensoriais na área cirúrgica não se regenerando adequadamente ou talvez devido a determinados métodos cirúrgicos que danificarem os nervos mais do que outros.

Também é provável que a forma como o ar flui pelo nariz do indivíduo seja relevante, tanto que os pesquisadores do Wexner Medical Center da Ohio State University estão usando a tecnologia 3D para projetar modelos para testar os resultados da cirurgia antes do procedimento. Usando um modelo de computador, eles podem simular a remoção de tecido para determinar como isso afeta o fluxo de ar, o que pode ajudar os cirurgiões a se prepararem melhor antes da cirurgia.

“Como os seios da face são circundados pelo cérebro e pelos olhos, é preciso ter precisão milimétrica”, disse o otorrinolaringologista Dr. Alex Farag em um comunicado à imprensa. Além da ENS, outros riscos da cirurgia dos seios da face incluem a perda do olfato ou paladar, por exemplo.

Existem tratamentos para ENS?

A prevenção é de longe a estratégia mais importante para evitar a ENS. Por isso, se você está considerando a cirurgia nasal, deve pesar cuidadosamente os benefícios e os riscos antes de tomar uma decisão. No mínimo, se você for submetido a uma cirurgia, certifique-se que as técnicas cirúrgicas mais conservativas possíveis sejam utilizadas.

“Em última análise, a prevenção desta complicação temida por meio de técnicas que preservam as conchas nasais é essencial”, escreveram os pesquisadores do Current Allergy and Asthma Reports. Dito isso, se você ou algum ente querido fez uma cirurgia nasal e está lutando contra a ENS, pode haver tratamentos úteis, incluindo “umidificação da mucosa, irrigações e emolientes”, bem como cirurgia para reconstruir os cornetos usando implantes.

Ao menos um estudo descobriu que o tratamento cirúrgico da ENS melhorou a depressão e a ansiedade, bem como outros sintomas. No entanto, ainda há muito a aprender sobre quais tipos de implantes funcionam melhor.

“Estudos recentes revelaram que a cirurgia pode resultar em melhora clínica em pacientes com ENS, mas não garante melhora em todos os pacientes, e não há evidências suficientes para favorecer qualquer material de implante específico”, de acordo com um estudo publicado no Journal of International Medical Research.

Em alguns casos, as pessoas com ENS também podem se beneficiar do tratamento para tratar de sintomas individuais, como hiperventilação, que pode ser melhorada por meio de reabilitação respiratória. No caso de Schmidt, ela buscou um tratamento holístico usando Ayurveda, mudanças na dieta, ioga, meditação e respiração consciente, bem como mitigação do estresse e atenção cuidadosa à temperatura e umidade do ambiente.

Além disso, ela recebeu injeções de plasma rico em plaquetas and stem cells através do Dr. Subinoy Das, CEO e diretor médico do Instituto dos Estados Unidos para Cuidado e Pesquisa Avançada dos Sínus, cujo objetivo é estimular o crescimento de novos nervos e vasos sanguíneos e a remodelação de tecidos dos cornetos. De acordo com o Instituto dos EUA para Pesquisa e Cuidado Avançado de Sinusite, eles tiveram uma taxa de melhora superior a 75 por cento com essas terapias.

Alternativas à cirurgia para sinusite e apneia do sono

ENS é iatrogênica, ou seja, causada por um tratamento, procedimento diagnóstico ou médico. Isso significa que ela é totalmente prevenível evitando-se a cirurgia nasal. Se você está sofrendo com os sintomas de um desvio de septo, incluindo sinusite crônica, os seguintes remédios naturais podem ajudar:

  • Beba líquidos quentes — Beber um chá quente, caldo de ossos ou a sopa pode ajudar a aliviar as vias nasais congestionadas.
  • Inale vapor — A inalação do vapor ajuda a reduzir a inflamação dos tecidos nasais, permitindo que a respiração volte ao normal.
  • Mantenha-se hidratado — Beber muita água pode ajudar a reduzir a pressão em seus seios da face, o que diminui a inflamação no nariz.
  • Use uma compressa quente — O calor de uma compressa quente pode ajudar a aliviar a dor e a inflamação nas vias nasais.

Se você está considerando a cirurgia de conchas nasais devido à apneia do sono, também há opções não cirúrgicas a serem consideradas, incluindo Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (CPAP, da sigla em inglês), um tipo especial de máscara para dormir que restaura mecanicamente a respiração usando a pressão do ar para abrir as vias aéreas. Outras opções de tratamento potenciais incluem:

  • Método de respiração Buteyko — Batizada em homenagem ao médico russo que a desenvolveu, a técnica Buteyko pode ser usada para reverter problemas de saúde causados por respiração inadequada, incluindo a apneia do sono.
  • Terapia Miofuncional Orofacial — A terapia miofuncional envolve a reeducação neuromuscular ou repadronização dos músculos orais e faciais. Ela inclui exercícios faciais e de língua e técnicas de modificação de comportamento para promover a posição adequada da língua, melhorar a respiração, mastigação e deglutição. Posturas adequadas de cabeça e pescoço também são abordadas.
  • Aparelho oral — Se a sua apneia do sono leve a moderada estiver relacionada a problemas na mandíbula ou na língua, dentistas especialmente treinados podem projetar um aparelho oral personalizado, semelhante a um protetor bucal, que você pode usar enquanto dorme para facilitar a respiração adequada.

– Recursos e Referências

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